SOBRE O PORTO


História

Monumentos e pontos de interesse

Tradições

Gastronomia

O Rio Douro e o Vinho do Porto

Galeria





História


o Porto é, actualmente, a segunda maior cidade do País, depois da Capital Lisboa. O nome e a identidade política de Portugal derivam do antigo nome da cidade “Portus Cale”.

Embora as relíquias celtas e pre-celtas datem de cerca de 275 aC e tenham sido encontradas no coração da cidade, a verdadeira história do Porto remonta ao período romano, quando a cidade desenvolveu sua importância como porto comercial, principalmente no comércio entre Olissipona (Lisboa) e Bracara Augusta (atualmente Braga). No entanto, a invasão muçulmana em 711 tornou este porto comercial de menor importância pelos séculos seguintes. Em 868, o Conde Vímara Peres estabeleceu o Primeiro Condado de Portugal (Condado Portucalense) após a reconquista da região a norte do rio Douro.

Em 1095, a filha ilegítima do rei Alfonso VI de Castilla casou-se com Henrique de Borgonha, trazendo o Condado de Portugal como dote. Este Condado Portucalense tornou-se o foco da Reconquista e mais tarde tornou-se o Reino independente de Portugal, depois de se expandir para fronteiras atuais a sul, ao reconquistar boa parte desse território sob o reinado do rei Afonso I de Portugal, no século XII.

Em 1387, a cidade do Porto foi o cenário do casamento de João I e D. Filipa de Lancaster, filha de John de Gaunt. esse laço confirmou a aliança militar entre Portugal e Inglaterra, que é a mais antiga aliança militar registada do mundo. Após essa união, a cidade começou a prosperar. As pessoas começaram a viajar mesmo de longas distâncias apenas para ver o lugar onde ocorreu este famoso casamento.

Ao longo dos próximos três séculos, o Porto cresceu e começou a desenvolver seu próprio caráter e infra-estrutura. Nos séculos XIV e XV, os estaleiros do Porto contribuíram para o desenvolvimento da frota portuguesa. Em 1415, D. Henrique, filho de João I, partiu do Porto para conquistar a cidade de Ceuta, no norte de Marrocos. Esta expedição levou a viagens exploratórias que ele mais tarde enviou para a costa da África. Este facto está na origem de os portuenses serem conhecidos como "tripeiros", porque toda a carne de maior qualidade da cidade seria carregada em navios para alimentar marinheiros. Sobravam as tripas... de que os habitantes aprenderam a fazer uma iguaria ainda hoje apreciada.

Durante os séculos XVIII e XIX, a cidade tornou-se um importante centro industrial e seu tamanho e população aumentaram. Uma ponte ferroviária, Maria Pia (1876-77), e uma enorme ponte de ferro, D. Luis I (1881) foram construídas no início do século XIX, assim como a estação ferroviária central, São Bento. Uma instituição de ensino superior em ciências náuticas (Aula de Náutica, 1762) e uma bolsa de valores (Bolsa do Porto, 1834) também foram estabelecidas na cidade.

Devido ao facto de a cidade nunca ter sido conquistado militarmente ao longo da sua história, o Porto passou a ser conhecido como Cidade Invicta, um nome que ainda hoje é comumente usado.

Após o estabelecimento da República em 1910, a cidade passou por um processo de renovação e de forte industrialização. O Porto é também conhecido como a cidade do trabalho, por causa do dinamismo, coragem e honestidade de seus cidadãos.

O centro histórico do Porto foi declarado Património da Humanidade pela UNESCO em 1996. O site do Património Mundial é definido em duas zonas concêntricas; A "área protegida", e dentro dela a "área classificada". A área classificada compreende a cidadela medieval localizada dentro da muralha românica do século XIV.


Monumentos e pontos de interesse


A Catedral



A Catedral do Porto tem suas origens no século XII, embora tenha sofrido muitas alterações ao longo do tempo. A janela de rosácea gótica é a única parte da fachada original que permanece, especialmente após as alterações barrocas no século XVIII. Está localizado no centro histórico da cidade e é um dos mais importantes monumentos românicos de Portugal. Aqui foi onde o Príncipe Henrique, o Navegador foi batizado e onde o Rei D. João I caseu com a Princesa inglesa Filipa de Lancaster no século XIV.

A Torre dos Clérigos



Entre 1732 e 1763, o arquiteto italiano Nicolau Nasoni projetou uma igreja de estilo barroco com uma torre. A torre da igreja de Clérigos foi a estrutura mais alta em Portugal quando completada em 1763. A torre tem 75,6 metros de altura e tornou-se um símbolo da cidade e uma atração popular pela visão aérea da cidade desde o topo. Vale a pena subir a íngreme escada em caracol até ao topo para poder observar todo o casario dos bairros mais antigos, lá do alto...

A ponte Dom Luis I



A construção desta icónica ponte do Porto foi iniciada em 1881 e foi inaugurada em 1886, detendo então o recorde do maior arco de ferro do mundo. Foi desenhado por Gustave Eiffel, antes de construir a famosa torre de Paris. A ponte permaneceu em serviço rodoviário em ambos os tabuleiros até 1991; hoje o metro atravessa o nível superior, enquanto o nível mais baixo é usado por carros e pedestres para atravessar o rio entre o centro do Porto e os armazéns portuários do município de Vila Nova de Gaia. A visão da Ribeira a partir da ponte é única... e do lado de Gaia encontrará muitos e bons restaurantes de comida típica, para além das famosas caves de Vinho do Porto.

A Ribeira



A Praça da Ribeira é uma praça histórica no Porto, localizada no bairro histórico mais próximo do rio. o Casario antigo espalha-se ao longo da margem do rio Douro e foi um centro de intensa atividade comercial e de fabricação artesanal desde a Idade Média. Nessa época a Praça da Ribeira era o local de muitas lojas que vendiam peixe, pão, carne e outros bens. O bairro fascinante da Ribeira é composto por ruas medievais e becos estreitos, escadarias e ruelas... uma área fascinante, que termina na praça voltada ao rio. Da Ribeira é possível ver também a série de casas de Vinho do Porto ao longo do rio, do lado de Gaia.

A Casa da Música



A Casa da Música é uma grande sala de concertos no Porto que foi projetada pelo famoso arquiteto holandês Rem Koolhaas exclusivamente para apresentações musicais. Este edifício de forma irregular foi construído como parte do projeto do Porto Capital Europeiada Cultura em 2001, embora tenha sido inaugurado em 2005. Aloja actualmente três orquestras: Orquestra Nacional do Porto, Orquestra Barroca e Remix Ensemble.
Localiza-se uma das principais avenidas da cidade (Avenida da Boavista que se estende por 7 km em direção ao mar). De fora, o prédio geralmente é descrito como parecido com um meteorito pousado no meio da cidade.

Museu de Serralves



A Fundação de Serralves é uma casa de artes no Porto e seu prédio original foi desenhado pelo arquiteto português José Marques da Silva. A Casa de Serralves é considerada uma das melhores peças deste arquiteto. É um elegante edifício Art Déco com magníficos jardins ao redor, um dos quais foi desenhado pelo arquiteto francês Jacques Gréber.
O Museu Serralves, o primeiro museu de arte contemporânea em grande escala em Portugal, está localizado na Quinta de Serralves, uma grande propriedade perto do centro do Porto. Os 18 hectares de jardins paisagísticos projetados por João Gomes da Silva contêm terras naturais, esculturas modernas e preservam algumas das espécies botânicas mais importantes existentes na propriedade.
O edifício tem 13.000 m2, dos quais 4.500 m2 de área expositiva em 14 salas. Foi inaugurado em 1999 com a antiga Casa Serralves servindo como sede da fundação. Desde o início, as várias exposições se concentraram no período seguinte a 1968 e, sem exposições permanentes, o museu organiza cinco exposições temporárias por ano. Nos últimos anos, o museu montou exposições de Franz West, Roni Horn, Claes Oldenburg e Coosje van Bruggen, Richard Hamilton, Christopher Wool e Luc Tuymans.

Jardins do Palácio de Cristal



Os jardins do Palácio de Cristal é um lindo parque paisagístico com um enorme pavilhão em forma de cúpula, construído em 1956, que substituiu o "Crystal Palace", de ferro e vidro do século XIX. Hoje, este pavilhão é o cenário de muitos concertos e eventos desportivos. Inclui também uma biblioteca multimídia, um auditório, uma cafeteria e o Museu Romântico.
Está rodeado por um extraordinário jardim com lago, canteiros com pavões, sempre com vista para o rio Douro. É, muitas vezes, palco de concertos de jazz ou outras manifestações culturais.


Traditições


Festas de São João



As festas de São João são o maior festival do calendário do Porto, atraindo pessoas de todo o país para o centro histórico da cidade para uma festa enorme que apresenta eventos musicais, churrasco nas ruas, um enorme fogo de artifício... e pessoas que batem na cabeça umas das outras com alhos porros e martelos de plástico!
Ocorre uma vez por ano, na noite de 23 para 24 de junho, quando as pessoas chegam ao centro da cidade e aos bairros mais tradicionais para celebrar o dia de São João. A festa tem conteúdo religioso mas combina tradições pagãs relacionadas com o solestício.
Essas celebrações foram realizadas na cidade há mais de seis séculos, mas foi durante o século XIX que o dia de São João ficou impregnado na cultura da cidade e assumiu o status de festival mais importante da cidade.
Geralmente, a festa começa no início da noite de 23 de junho com as atrações tradicionais da noite incluem concertos de rua, festas populares, o tradicional saltar a fogueira, provando as sardinhas assadas na brasa em cada bairro, bebendo vinho e fazendo subir balões de papel iluminados no interior por uma chama... o céu do verão do Porto ilumina-se com centenas de pontinhos de cor que vão subindo, subindo.... As pessoas caminham pelas ruas mais antigas e, depois, até à beira-mar em Foz, onde esperam o nascer do sol. Geralmente a festa apenas termina na manhã de 24 de junho, com o inesquecível "caldo verde".
A festa faz uma pausa à meia-noite, quando todos observam o espetáculo de fogo-de-artifício de São João, olhando os céus do Porto. Esse show está ficando mais sofisticado ao longo dos anos com a associação com temas e shows multimédia.


Gastronomia


Tripas à Moda do Porto



"Tripas à moda do Porto" é um prato tradicional do Porto. É carne de estômago de vaca com feijão branco e outras carnes e enchidos, e é comido acompanhado com arroz. Este prato foi inventado no momento das descobertas portuguesas quando o Infante D. Henrique pediu ao povo do Porto todos os tipos de comida para preencher os navios para a tomada de Ceuta na expedição militar comandada por D. João I em 1415. Toda a carne existente na cidade devia ser limpa, salgada e embarcada nos navios, o que deixou as pessoas da cidade unicamente com as miudezas, incluindo as "tripas". Assim, os portuenses tiveram que inventar formas alternativas de cozinhar o que sobrava, resultando no prato "Tripas à moda do Porto".

Francesinha



"Francesinha" foi uma invenção na década de 1960, quando Daniel da Silva, um emigrante retornado da França, tentou adaptar a tosta francêsa "croque-monsieur" ao gosto português. Embora possa ser encontrado em alguns outros lugares em Portugal, esse iguaria é originalmente do Porto.
Leva salsicha, presunto, carnes frias e bife ou, alternativamente, lombo de porco assado cortado e coberto com queijo. Geralmente é decorado com um molho famoso. Os acompanhamentos de ovos estrelados (no topo do sanduíche) e batatas fritas são opcionais. O molho "Francesinha" é um segredo, e cada casa tem sua variação. O único ingrediente comum é a cerveja. A maioria dos molhos também são baseados em tomate e variam no que respeita ao picante. A francesinha come-se acompanhada de cerveja à pessão, muito fresca e em quantidade... No Porto peça "Super Bock".


Bacalhau à Gomes de Sá



"Bacalhau à Gomes de Sá" é um prato típico da cidade do Porto, sendo hoje popular em todo o território português. Actualmente é considerada uma das maiores receitas de bacalhau de Portugal.
Conta a história de que Gomes de Sá era filho de um rico comerciante do século XIX no Porto. A fortuna da família diminuiu e o filho teve que encontrar um emprego no famoso restaurante Restaurante Lisbonense no centro do Porto. Foi lá que ele criou esta agora bem conhecida receita. É feito com bacalhau cortado em pequenas fatias marinadas no leite por mais de uma hora, indo depois ao forno com azeite, alho, cebola, azeitonas pretas acompanhadas de salsa e ovos cozidos.


O Rio Douro e o Vinho do Porto



O rio Douro é um dos rios mais longos e maiores da Península Ibérica. Atravessa toda a parte norte da península, faz parte da fronteira portugues / espanhola devido ao seu vale profundo e difícil de atravessar, e chega ao oceano no Porto, a segunda maior cidade de Portugal. No seu caminho internacional e português, o rio Douro atravessa dois tipos principais de solo: ardósia (ou xisto, como é conhecido na região) e granito, sendo o segundo o mais próximo do Oceano Atlântico. É na parte superior que o rio Douro produz um microclima único e extraordinário "dentro" das suas margens. Meses de calor extremo durante o período de Verão (em que as temperaturas podem ultrapassar facilmente os 45 graus) contrastam com longos meses de frio extremo, durante o resto do ano. As condições únicas de humidade também são fundamentais para caracterizar esse microclima que, em conjugação com a composição particular do solo, produz um dos vinhos mais extraordinários do mundo: o Vinho do Porto.

As uvas para vinho do Porto são cultivadas nas colinas abruptas que formam as margens dos rios. Mas, tradicionalmente, o Vinho do Porto foi amadurecido perto do mar em Vila Nova de Gaia, a cidade virada para o Porto na margem sul. Para isso, o vinho tem que viajar para o oeste, e o rio era o melhor caminho para o fazer. Um tipo especial de barcos (o "Rabelos") foi desenvolvido para esse fim. Eles são longos, com apenas uma vela; o trabalho de os fazr chegar com segurança a Gaia não era fácil e ocorreram acidentes em passagens especialmente difíceis, como a "Valeira", por exemplo. Regressar ao rio não era um trabalho mais leve: os barcos tinham que ser puxados por vacas, caminhando em caminhos especiais nas margens do rio, durante longas partes de sua jornada para o leste. Atualmente, o vinho já não navega pelo rio, os "rabelos" são apenas um símbolo dos velhos tempos e uma atração turística.

Assim, foi no século XVIII que o Porto se tornou uma ligação importante entre os produtores de vinho do Vale do Douro e países importadores de vinho como a Inglaterra. A produção de vinho do porto tornou-se um grande negócio que se tornou possível graças aos barcos Rabelos. De Vila Nova de Gaia, o vinho foi enviado para compradores de outros países europeus e, cada vez mais, do resto do mundo.